Health Analytics: Ações possíveis a partir de ciência e dados de saúde foi o tema apresentado por Ricardo Ramos, presidente da ASAP e VP da Funcional Health Tech; Rogério Sugai, Médico e Diretor da Salesforce e G. Gus Gardner, VP de Operações da Optum Internacional, em painel no V Fórum Internacional ASAP.

Nos últimos dez anos, o mercado de Healthcare Analytics tem apresentado um crescimento de receita equilibrado tanto no Brasil, quanto internacionalmente, e com perspectiva de crescimento nos próximos anos. Fatores como a afluência de matérias-primas, a estabilidade financeira, a conscientização sobre o produto e a crescente demanda por um Healthcare Analytics estão impulsionando fortemente o crescimento dessa área. O Healthcare Analytics pode potencialmente impactar a estrutura de receita global e o sistema econômico e se tornar uma das indústrias mais remuneradoras do mundo.

Gus Gardner, VP de Operações Optum International, falou sobre as mudanças que o mundo vive no que se refere a informação e interpretação de dados. “Estamos em um período de transição. Hoje dependemos muito das mentes de pessoas muito inteligentes que conseguem ler esses dados. O que a indústria da saúde precisa ter nas próximas gerações é um suporte que possa oferecer um serviço que não foi oferecido nos últimos 100 anos”, ressaltou.

O VP de Operações da Optum International levantou algumas questões importantes sobre a análise de dados, como “O que isso significa? Isso ajudará o paciente a fazer um resumo de suas informações? Ou ajudará o médico de maneira prática? Como treinar os profissionais de hoje, que trabalham com saúde”, perguntou. 

Rogério Sugai, Médico e Diretor da Salesforce, afirmou que nunca tivemos tantos dados coletados como hoje, mas que por outro lado, é necessário saber interpretá-los. “Vou usar uma frase aqui já bem conhecida. O hospital é a instituição mais complexa que o ser humano já criou. O que me chama a atenção, é ver o quanto a gente vem evoluindo nessa jornada. A gente passou por um processo de automação e agora estamos começando a evoluir na análise dos dados. São 7.6 bilhões de seres humanos no mundo e de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde, apenas 45% da população mundial de fato, tem acesso a serviços médicos adequados. Estudos mostram também que cada ser humano terá uma média de doença de 1.3, ou seja, todos nós vamos adoecer. Estamos em um momento propício para análise de dados”.

Para Rogério, a computação na nuvem traz uma nova possibilidade na análise de dados. “Acho que essa análise será disruptiva, imagino que virá não da gente, que está envolvido no processo, e sim de quem está à margem dele”, comentou.

Ricardo Ramos aproveitou para levantar a questão sobre quebra de paradigma na saúde e interoperalidade – capacidade de diversos sistemas e instituições trabalharem em conjunto, apesar de suas particularidades, garantindo que interajam para troca de informações de maneira eficaz e eficiente.

“A leitura de dados é bem complicada. À medida que os planos de saúde passaram por fusões, vendas, etc, a gente percebeu que os sistemas demoram a ser extraídos. Troca de informações entre sistemas de diferentes organizações carece de mudança de cultura e avanço na maturidade e na eficiência da gestão, mas a tendência promete revolucionar a assistência”, respondeu o VP de Operações da Optum Internacional.

Rogério Sugai respondeu com dados: “No Brasil, somente 900 mil diabéticos são acompanhados e os outros 11.1 milhões? O sistema não aguenta esperar que esses pacientes se tornem renais crônicos para que sejam atendidos. Mas, onde eles estão?”, questionou.

“Eu acredito que a interoperabilidade será resolvida por dois caminhos. O que a gente já está seguindo, que é um processo de camada em camada. E outro, que virá via Inteligência Artificial. Nos consultórios temos que voltar a escrever, precisamos ser mais precisos, contar a história e acredito que assim possamos cruzar dados e a interoperabilidade ocorrerá.” 

Ao perguntar como agregar valor à saúde com toda essa discussão, G. Gus Gardner, respondeu que a vigilância de saúde populacional pode ser o caminho. “Como sabemos, dados sem contexto é só ruído. Acho que a única solução para se transformar dados em output é a Inteligência Artificial em escala, ela que vai filtrar todo ruído em resultados significativos”. Rogério Sugai concordou: “Teremos muito ruído, mas vem para o bem”, encerrou.

 

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